um dia foi passado, hoje presente
a dor que agora sinto e' como um eco ausente
de algo de outrora não de agora,
de algo já passado, acabado,
mas que ressurge como se tudo tivesse sido nessa hora,
como se não existisse tempo nem outrora,
como se tudo que existisse fosse só o hoje, o agora,
agora, agora, agora, agora...
New York
Abril de 2011
Paulo Nunes
Thursday, April 28, 2011
Reincarnação
Quando você se foi ou eu me fui,
pouco importa quem agora,
ficou comigo a eterna dor da despedida,
e essa dor, essa ferida,
perdura e perdurou por minha longa vida,
e mesmo agora, tanto tempo afora,
ao ponto que creio que você de mim nem lembra mais,
se esqueceu ou morreu, o que da no mesmo, tanto faz,
só que se você de mim se esqueceu,
ao me esquecer quem morreu fui eu.
Ainda assim, em mim perdura,
essa já eterna dor da nossa despedida.
Sim, em mim moraram outros amores,
ou algo assim, quem sabe,
mas ate hoje, a única chama que ficou, que ainda arde,
e' a luz da tua luz, que não se extingue, que nunca acaba.
Só de uma coisa me esqueci, não lembro bem agora,
da cor dos seus olhos, eram eles verdes ou azuis?
ah sim, eram verdes, da cor dessa esperança,
de morrer hoje, agora,
e renascer só pra te amar de novo,
e dessa vez ficar pra sempre,
só nos dois,
sem fim,
sem tempo,
sem hora.
4/2011
Paulo Nunes
pouco importa quem agora,
ficou comigo a eterna dor da despedida,
e essa dor, essa ferida,
perdura e perdurou por minha longa vida,
e mesmo agora, tanto tempo afora,
ao ponto que creio que você de mim nem lembra mais,
se esqueceu ou morreu, o que da no mesmo, tanto faz,
só que se você de mim se esqueceu,
ao me esquecer quem morreu fui eu.
Ainda assim, em mim perdura,
essa já eterna dor da nossa despedida.
Sim, em mim moraram outros amores,
ou algo assim, quem sabe,
mas ate hoje, a única chama que ficou, que ainda arde,
e' a luz da tua luz, que não se extingue, que nunca acaba.
Só de uma coisa me esqueci, não lembro bem agora,
da cor dos seus olhos, eram eles verdes ou azuis?
ah sim, eram verdes, da cor dessa esperança,
de morrer hoje, agora,
e renascer só pra te amar de novo,
e dessa vez ficar pra sempre,
só nos dois,
sem fim,
sem tempo,
sem hora.
4/2011
Paulo Nunes
Tuesday, April 26, 2011
Mãos
as mãos,
tem tanto tempo que já não lembro mais do resto,
só das mãos.
elas eram brancas e macias,
onde se destacava o azul das veias grossas que as cobriam,
e que nela faziam desenhos como rios.
mãos autoritárias que poderiam ser de navegantes,
mas de quem seriam aquelas mãos?
de um estudante adolescente? de um pintor? de um poeta?
não, eram possantes, fortes demais pra serem de um artista.
eram na realidade apenas duas mãos, perfeitas,
de um amigo que nunca mais vi e me esqueci.
do amigo,
do rosto,
do corpo,
mas nunca das mãos.
3/75
Paulo Nunes
tem tanto tempo que já não lembro mais do resto,
só das mãos.
elas eram brancas e macias,
onde se destacava o azul das veias grossas que as cobriam,
e que nela faziam desenhos como rios.
mãos autoritárias que poderiam ser de navegantes,
mas de quem seriam aquelas mãos?
de um estudante adolescente? de um pintor? de um poeta?
não, eram possantes, fortes demais pra serem de um artista.
eram na realidade apenas duas mãos, perfeitas,
de um amigo que nunca mais vi e me esqueci.
do amigo,
do rosto,
do corpo,
mas nunca das mãos.
3/75
Paulo Nunes
Monday, April 25, 2011
CONTRAPONTO
e' inverno em minha cidade,
mas ainda há sol em suas ruas.
eu, como um velho, me sento no banco da praça, sob o céu aberto,
onde procuro me aquecer com minhas lembranças.
o que foi não modificara o que sera', mas me importa o que e',
e e' inverno com sol.
o frio não me amedronta, chego a gostar de senti-lo,
depois, há o sol e o céu azul.
a praça não esta' deserta, eu estou nela e, o vento não e' mais que uma brisa a brincar com as árvores.
la' embaixo há um barulho de mar, um mar que espera sempre,
compassadamente, compassivamente, infinitamente calmo,
este mar que me guarda segredos e tesouros...
as noites de minha cidade são calmas e claras, mesmo após um dia cinzento.
as poucas noites de chuva me confortam,
gosto de me deitar e ficar quieto, olhando o caminho que a a chuva faz,
na superfície do vidro da janela do meu quarto de hotel,
onde me embalo, durmo e não sonho.
mas onde esta você nisto tudo?
Hotel Victoria Plaza
Montevideo, 26/3/75
Paulo Nunes
mas ainda há sol em suas ruas.
eu, como um velho, me sento no banco da praça, sob o céu aberto,
onde procuro me aquecer com minhas lembranças.
o que foi não modificara o que sera', mas me importa o que e',
e e' inverno com sol.
o frio não me amedronta, chego a gostar de senti-lo,
depois, há o sol e o céu azul.
a praça não esta' deserta, eu estou nela e, o vento não e' mais que uma brisa a brincar com as árvores.
la' embaixo há um barulho de mar, um mar que espera sempre,
compassadamente, compassivamente, infinitamente calmo,
este mar que me guarda segredos e tesouros...
as noites de minha cidade são calmas e claras, mesmo após um dia cinzento.
as poucas noites de chuva me confortam,
gosto de me deitar e ficar quieto, olhando o caminho que a a chuva faz,
na superfície do vidro da janela do meu quarto de hotel,
onde me embalo, durmo e não sonho.
mas onde esta você nisto tudo?
Hotel Victoria Plaza
Montevideo, 26/3/75
Paulo Nunes
PONTO
meu padecimento e' real, desde que o criei,
minhas forças partem de minhas mãos,
meu cérebro esta cansado, mas a mão agarra,
a mão, a garra,
agarra o ultimo galho antes do precipício.
as raízes, as raízes terão força suficiente para a sustentação do corpo?
há um baque descompensado e surdo dentro de mim,
e' dentro de mim que existe um universo infinito,
que possui a calma de todos os paraísos em contrapoisicao a angustia de todos os infernos.
ha' mais de um único mundo em meu universo e e' inverno em minha cidade.
Hotel Victoria Plaza
Montevideo, 26/3/75
Paulo Nunes
minhas forças partem de minhas mãos,
meu cérebro esta cansado, mas a mão agarra,
a mão, a garra,
agarra o ultimo galho antes do precipício.
as raízes, as raízes terão força suficiente para a sustentação do corpo?
há um baque descompensado e surdo dentro de mim,
e' dentro de mim que existe um universo infinito,
que possui a calma de todos os paraísos em contrapoisicao a angustia de todos os infernos.
ha' mais de um único mundo em meu universo e e' inverno em minha cidade.
Hotel Victoria Plaza
Montevideo, 26/3/75
Paulo Nunes
Wednesday, March 30, 2011
Conversa de Bêbados
- Você se considera bissexual?
- Não, eu detesto classificações.
- Mas se você tivesse que ter uma?
- Hmmm, creio que seria Serssexual
- E o que quer dizer isso?
- Como o nome diz um ser que e' sexual
- Qual a diferença pra você entre fazer sexo com homem e mulher?
- Ok , o fator comum entre os dois seria atrassexual e,
antes que você pergunte seria atração/sexual, com homem
seria intessexual, intelectual/sexual, com mulher sentissexual,
sentimental/sexual.
- Você nunca transa só por transar?
- Nunca, nem comigo mesmo e,
agora a entrevista acabou que eu estou com sono,
chega mais pra la' que a cama e grande e vamos dormir...
- Amanha você me conta isso tudo novamente?
Nesse porre tenho certeza que vou esquecer esse papo e tudo mais.
- Ok, se eu lembrar...
- Fantástico, mas só me conta as classificações ok? Esquece o tudo mais.
Paulo/Lyrico
NY Marco 2011
- Não, eu detesto classificações.
- Mas se você tivesse que ter uma?
- Hmmm, creio que seria Serssexual
- E o que quer dizer isso?
- Como o nome diz um ser que e' sexual
- Qual a diferença pra você entre fazer sexo com homem e mulher?
- Ok , o fator comum entre os dois seria atrassexual e,
antes que você pergunte seria atração/sexual, com homem
seria intessexual, intelectual/sexual, com mulher sentissexual,
sentimental/sexual.
- Você nunca transa só por transar?
- Nunca, nem comigo mesmo e,
agora a entrevista acabou que eu estou com sono,
chega mais pra la' que a cama e grande e vamos dormir...
- Amanha você me conta isso tudo novamente?
Nesse porre tenho certeza que vou esquecer esse papo e tudo mais.
- Ok, se eu lembrar...
- Fantástico, mas só me conta as classificações ok? Esquece o tudo mais.
Paulo/Lyrico
NY Marco 2011
CAMPO MINADO
Ultimamente tenho sonhado os mesmos sonhos,
Tanto dormindo quanto acordado.
Dormindo sonho que ando em um campo minado,
Acordado sonho que estou dormindo.
Melhor eu andar com cuidado...
Paulo Nunes
NYC
Marco 2010
Tanto dormindo quanto acordado.
Dormindo sonho que ando em um campo minado,
Acordado sonho que estou dormindo.
Melhor eu andar com cuidado...
Paulo Nunes
NYC
Marco 2010
Tuesday, March 29, 2011
Dores e Prazeres
Não e' de espinhos a coroa que em minha cabeça eu ponho,
nem e' de flores ou louro ou algo parecido,
mas tem perfume de amor e sexo e sangue e dor e alegria,
já que nem toda dor nos traz prazer,
como a dor que agora sinto, e mesmo se choro,
e' de puro gozo, podes crer.
E assim eu amo a mão que me espanca e me atormenta,
e beijo a boca que me xinga e me difama e em meu rosto cospe,
pois só nessa dor e humilhação me sinto vivo e me acordo,
e grito, pois que maior prova que um grito que em si diz -Estou Vivo-
mesmo que de dor em meu peito me sinta como que a morrer.
E para que a sua mão me bata mais, Te Amo!,Te Amo! Eu grito,
e grito,e grito...
Paulo Nunes,
Fim de Marco de 2011 em NY
nem e' de flores ou louro ou algo parecido,
mas tem perfume de amor e sexo e sangue e dor e alegria,
já que nem toda dor nos traz prazer,
como a dor que agora sinto, e mesmo se choro,
e' de puro gozo, podes crer.
E assim eu amo a mão que me espanca e me atormenta,
e beijo a boca que me xinga e me difama e em meu rosto cospe,
pois só nessa dor e humilhação me sinto vivo e me acordo,
e grito, pois que maior prova que um grito que em si diz -Estou Vivo-
mesmo que de dor em meu peito me sinta como que a morrer.
E para que a sua mão me bata mais, Te Amo!,Te Amo! Eu grito,
e grito,e grito...
Paulo Nunes,
Fim de Marco de 2011 em NY
Monday, March 28, 2011
Nevoa
Hoje sinto uma angustia que de tão profunda se sente como uma dor física,
Uma tristeza infinita como nas palavras para sempre...
E' como um adeus que some quando na distancia do navio já não se vê mais o cais,
E' como que, para algo que nunca foi, se dizer nunca mais.
E' como um encontro que não foi marcado chegando fora da hora,
E' como um antes sem um agora.
E' como uma saudade de algo que nunca aconteceu,
Ou, pior ainda,
Que se esqueceu.
Paulo Nunes
NY Marco de 2011
Uma tristeza infinita como nas palavras para sempre...
E' como um adeus que some quando na distancia do navio já não se vê mais o cais,
E' como que, para algo que nunca foi, se dizer nunca mais.
E' como um encontro que não foi marcado chegando fora da hora,
E' como um antes sem um agora.
E' como uma saudade de algo que nunca aconteceu,
Ou, pior ainda,
Que se esqueceu.
Paulo Nunes
NY Marco de 2011
Sunday, March 13, 2011
Esse Tal Do Amor...
O amor e' algo interessante,
nos faz amigo, nos faz amado, nos faz amante,
tanto pode doer como nos dar prazer,
e em algumas pessoas os dois ao mesmo instante.
O amor e' algo interessante
O amor e algo diferente,
algo que quando bate, algumas vezes não há quem aguente,
vem com força, com bravura e sem perguntas ou medo,
nunca se importando com o que causa ou como alguém se sente,
o amor e algo diferente.
O amor, pra mim ainda e' mistério,
ele não me deixa escolher a quem eu quero,
simplesmente entra pela minha casa adentro,
como se dela fosse dono,
muitas vezes me entra mesmo pelo o sono,
e me faz sonhar com quem menos espero,
e por mais que eu o tente negar mais ele me aparece,
e mesmo que eu tente escapar, ele não me esquece,
e a mim confronta nas coisas mais diversas,
em músicas, em filmes, em pinturas, em livros, em versos.
O amor me persegue pra onde eu for, more, esconda, esteja, viva,
umas horas me faz ver as coisas mais bonitas,
em outras simplesmente vem e me entristece.
No fundo mesmo, esse tal do amor vem,como agora,
e simplesmente me enlouquece.
New York, Marco de 2011
Paulo Nunes
nos faz amigo, nos faz amado, nos faz amante,
tanto pode doer como nos dar prazer,
e em algumas pessoas os dois ao mesmo instante.
O amor e' algo interessante
O amor e algo diferente,
algo que quando bate, algumas vezes não há quem aguente,
vem com força, com bravura e sem perguntas ou medo,
nunca se importando com o que causa ou como alguém se sente,
o amor e algo diferente.
O amor, pra mim ainda e' mistério,
ele não me deixa escolher a quem eu quero,
simplesmente entra pela minha casa adentro,
como se dela fosse dono,
muitas vezes me entra mesmo pelo o sono,
e me faz sonhar com quem menos espero,
e por mais que eu o tente negar mais ele me aparece,
e mesmo que eu tente escapar, ele não me esquece,
e a mim confronta nas coisas mais diversas,
em músicas, em filmes, em pinturas, em livros, em versos.
O amor me persegue pra onde eu for, more, esconda, esteja, viva,
umas horas me faz ver as coisas mais bonitas,
em outras simplesmente vem e me entristece.
No fundo mesmo, esse tal do amor vem,como agora,
e simplesmente me enlouquece.
New York, Marco de 2011
Paulo Nunes
Carnaval no Elite
Quarta Feira
Corpos nus ou quase
que em suor e luz brilham
e em varias cores e formas brincam,
dançam, cantam e se embriagam,
como anjos perdidos em desejos,
que como anjos haviam esquecido
mas, como homens voltaram a os reviver.
Quando a luz nas purpurinas bate,
como que estrelas que se vê de perto,
elas quase me cegam e me entontecem.
Mais do que as drogas ou bebidas,
os corpos desses anjos nus me tocam,
e em mim esbarram a me enlouquecer.
Em um piscar de olhos eles desaparecem,
e só nesse salão escuro e quieto eu me vejo,
escutando os homens que trabalham no andar abaixo,
em uma fabrica de caixões que ai existe.
E retorna a vida nessa quarta-feira
onde dos anjos o que ficou foi cinza
em uma cruz, na testa e nada mais.
Paulo Nunes
NY Sem Data
Corpos nus ou quase
que em suor e luz brilham
e em varias cores e formas brincam,
dançam, cantam e se embriagam,
como anjos perdidos em desejos,
que como anjos haviam esquecido
mas, como homens voltaram a os reviver.
Quando a luz nas purpurinas bate,
como que estrelas que se vê de perto,
elas quase me cegam e me entontecem.
Mais do que as drogas ou bebidas,
os corpos desses anjos nus me tocam,
e em mim esbarram a me enlouquecer.
Em um piscar de olhos eles desaparecem,
e só nesse salão escuro e quieto eu me vejo,
escutando os homens que trabalham no andar abaixo,
em uma fabrica de caixões que ai existe.
E retorna a vida nessa quarta-feira
onde dos anjos o que ficou foi cinza
em uma cruz, na testa e nada mais.
Paulo Nunes
NY Sem Data
Tuesday, March 8, 2011
AGORA
Entre o antes e o depois
tem o momento já, o agora,
segundos vividos entre duas possibilidades,
a do que foi e a do que sera.
Imutável fica o que ficou,
inseguro fica o que vira
e o momento que passa e' tão rápido e frágil,
que muitas vezes não da nem pra se notar.
O que marca o tempo não e' a hora,
o que marca o tempo e' a dor
ou a felicidade, tristeza ou alegria,
coisas que estão quase sempre de alguma forma,
conectadas ao sentimento do amor.
Já que tudo pode ser forte e frágil ao mesmo tempo,
contradições ou não que nos perseguem a vida,
e o momento ainda nem sentido,
ou marcado melhor dizendo,
e' o que e', e ao mesmo tempo já foi sendo,
e o que agora e' nunca se pode mudar.
Minha esperança mora no passado agora,
mesmo sabendo que não há como voltar,
mas mesmo que dor ou tormento foi o que foi sentido,
e' o único que eu sei que foi vivido
e que nem a morte pode ou ira modificar.
Assim não quero o amanhã nem o agora,
quero o que e' e foi real e sempre sera,
sim quero os ontems e os antes do meu outrora,
e os troco por tudo que e' ou que vira.
New York, 20 de Janeiro 2011
Paulo Nunes
tem o momento já, o agora,
segundos vividos entre duas possibilidades,
a do que foi e a do que sera.
Imutável fica o que ficou,
inseguro fica o que vira
e o momento que passa e' tão rápido e frágil,
que muitas vezes não da nem pra se notar.
O que marca o tempo não e' a hora,
o que marca o tempo e' a dor
ou a felicidade, tristeza ou alegria,
coisas que estão quase sempre de alguma forma,
conectadas ao sentimento do amor.
Já que tudo pode ser forte e frágil ao mesmo tempo,
contradições ou não que nos perseguem a vida,
e o momento ainda nem sentido,
ou marcado melhor dizendo,
e' o que e', e ao mesmo tempo já foi sendo,
e o que agora e' nunca se pode mudar.
Minha esperança mora no passado agora,
mesmo sabendo que não há como voltar,
mas mesmo que dor ou tormento foi o que foi sentido,
e' o único que eu sei que foi vivido
e que nem a morte pode ou ira modificar.
Assim não quero o amanhã nem o agora,
quero o que e' e foi real e sempre sera,
sim quero os ontems e os antes do meu outrora,
e os troco por tudo que e' ou que vira.
New York, 20 de Janeiro 2011
Paulo Nunes
Monday, March 7, 2011
SPRINGTIME
My heart is full of hopes,
My heart is full of dreams,
My hands are full of flowers,
My spirit is full of spring,
There are no more dead leaves,
There is no more cold wind,
The sun will come tomorrow,
The grass is green,
The night is quite and calm,
This night smells like jasmine,
Its coming from my brother,
Who is laying besides me,
His hair reminds me of wheat,
Blowing by the wind,
I whisper him a secret
And he believes in me.
Paulo Nunes
N.Y.C. 4/24/81
My heart is full of dreams,
My hands are full of flowers,
My spirit is full of spring,
There are no more dead leaves,
There is no more cold wind,
The sun will come tomorrow,
The grass is green,
The night is quite and calm,
This night smells like jasmine,
Its coming from my brother,
Who is laying besides me,
His hair reminds me of wheat,
Blowing by the wind,
I whisper him a secret
And he believes in me.
Paulo Nunes
N.Y.C. 4/24/81
SWEET OLD WINE
Nothing is forever,
everything depends on something.
sweet old wine in the crystal glass,
until when will you make me happy?
until when will you make me dream?
I am not afraid of the loneliness anymore
but I still have questions without answers...
What are we for each other?
What are we expecting from each other?
When I lay down on my lonely bed
I miss the contact of your body on mine,
what does that means? love or loneliness?
Message to a plant that I take care of:
When I leave this house will you miss me?
Nothing is forever,
everything depends on something.
Sweet old wine in crystal glasses,
until when will you make me dream?
Paulo Nunes
NY 1990
everything depends on something.
sweet old wine in the crystal glass,
until when will you make me happy?
until when will you make me dream?
I am not afraid of the loneliness anymore
but I still have questions without answers...
What are we for each other?
What are we expecting from each other?
When I lay down on my lonely bed
I miss the contact of your body on mine,
what does that means? love or loneliness?
Message to a plant that I take care of:
When I leave this house will you miss me?
Nothing is forever,
everything depends on something.
Sweet old wine in crystal glasses,
until when will you make me dream?
Paulo Nunes
NY 1990
DIFERENÇAS
em calmo mar navegas,
em bravo mar me afogo,
segues tua estrada de luzes,
em labirintos me perco,
és fruto de um amor,
sou fruto de despedidas,
teus lábios sorriem pra vida,
meus olhos choram pro nada,
te chama a aventura.
me sufoca a desventura,
segues norte, segues sul,
fico no meio parado,
teus olhos vivem o futuro,
mes olhos sonham o passado,
teu corpo tem cheiro de sal,
meu corpo tem cheiro de sono,
és pássaro alado,
eu sou cachorro sem dono,
possues o brilho do ouro,
e eu o opaco do couro,
és cantiga de acalanto.
sou grito, sou choro, sou pranto,
teus gestos são pura alegria,
meus gritos são de agonia,
tu vives sempre de dia,
eu morro sempre de noite,
a brisa te faz carícias,
o vento me bate em açoites,
tu és carta de sorte,
eu sou carta esquecida,
a ti te aplaude a vida,
a mim me aguarda a morte,
continuas seguindo sul,
eu agora sigo norte.
Paulo Nunes
NY 2010
em bravo mar me afogo,
segues tua estrada de luzes,
em labirintos me perco,
és fruto de um amor,
sou fruto de despedidas,
teus lábios sorriem pra vida,
meus olhos choram pro nada,
te chama a aventura.
me sufoca a desventura,
segues norte, segues sul,
fico no meio parado,
teus olhos vivem o futuro,
mes olhos sonham o passado,
teu corpo tem cheiro de sal,
meu corpo tem cheiro de sono,
és pássaro alado,
eu sou cachorro sem dono,
possues o brilho do ouro,
e eu o opaco do couro,
és cantiga de acalanto.
sou grito, sou choro, sou pranto,
teus gestos são pura alegria,
meus gritos são de agonia,
tu vives sempre de dia,
eu morro sempre de noite,
a brisa te faz carícias,
o vento me bate em açoites,
tu és carta de sorte,
eu sou carta esquecida,
a ti te aplaude a vida,
a mim me aguarda a morte,
continuas seguindo sul,
eu agora sigo norte.
Paulo Nunes
NY 2010
APARECIDA
Pobre Aparecida, desapareceu numa tarde ensolarada, de um domingo varonil. Pobre Aparecida, saiu para um cinema e nunca mais voltou, saiu no trageto do Meyer a Praca Saens Pena e nunca mais se ouviu falar dela. Pobre Aparecida, teria ela levado um tiro do bandido ou se apaixonado pelo mocinho da tela?
Pobre Aparecida, desaparecida.
Tanto tempo depois, hoje eu soube dela, mora em um barraco no morro do Pinto e tem cinco filhos do bicheiro da esquina, que foi preso, espancado e morreu.
Pobre Aparecida que apareceu...
Paulo Nunes
Sem Data
Pobre Aparecida, desaparecida.
Tanto tempo depois, hoje eu soube dela, mora em um barraco no morro do Pinto e tem cinco filhos do bicheiro da esquina, que foi preso, espancado e morreu.
Pobre Aparecida que apareceu...
Paulo Nunes
Sem Data
A CAETANO VELOSO
Cae,
"quando você se requebrar, caia por cima de mim, cai por cima de mim, caia por cima de mim". Balança e requebre mas não quebre nunca pois que te quero sempre inteiro, teiro.
Meu nome e Paulo, tenho a idade da hera, que brota e agarra na pedra que forma o muro da fazenda que foi de minha avo', juventude aberta, campo, rio, lago, flor e muito amor, no imenso que era esse mundo de Deus, adeus.
Te ouço e te vejo como sempre e , verbalmente como sempre tua música, teu som, tua poesia, teu amor, e de tudo isso me alimento e cresço e só hoje apareço.
De repente me lembro de São Paulo, programa do Agnaldo, bons tempos, e eu do teu lado, apaixonado pela tua cor canela, calado, "como cabe a um menino diante de um deus", a ti apresentado pela Célia. Depois veio o depois e Célia foi pro México com Decalafe e eu fiquei, caminhando sem lenço mas com documento porque tinha medo...
Depois, com a ditadura militar veio Londres, e toda a solidão de tua ausência...eu estava la mas não sabias, e eu sofria com o que inventaram, tanto amor do lado de cá...prece: te cuida meu filho-irmão pois te careço quero e preciso, e ai que quase morro e corro pra saber mentira a história do hospital (qualquer que seja a tua história ela sera sempre com H). Não havia tuberculose ou beirando a morte, estavas bem vivo e triste, tão triste como a educada Londres, cidade onde, olhando pro céu buscavas um disco voador. E nos te amando ainda que na distancia, meio bolero meio tango.
Depois veio o retornar, o renascer, o rescender, ou transcender em toda maravilha do retorno. Teatro Municipal, batom sabor morango manchando a boca, crescendo o grito, mistificando o mito, e só crescendo mais e mais. Eu sempre la, mesmo quando aqui em New York, me sento e te bebo em um copo do Canecão.
Leio onde falas de João Gilberto. João Gilberto esta para ti como tu estas para mim, como eu estou pra Cristina que esta para a Vera em uma torrente, cadeia infinita de admiração, carinho, respeito, amor.
Hoje eu sou o expatriado, longe, já há tanto tempo, mas não te perco e te sigo sempre ao lado.
Tua música me cobre e descobre em a mim a hora certa de te contar e desvendar meu mini mistério: Tua presença e' a prova concreta da existência plena de uma divindade.
"Qual e o teu nome?
Onde e que você mora?
Quando e que você me namora?"
Que perdure o poeta...
Escrito em New York, não datado mas "Baby, baby, há quanto tempo..."
Paulo Nunes
"quando você se requebrar, caia por cima de mim, cai por cima de mim, caia por cima de mim". Balança e requebre mas não quebre nunca pois que te quero sempre inteiro, teiro.
Meu nome e Paulo, tenho a idade da hera, que brota e agarra na pedra que forma o muro da fazenda que foi de minha avo', juventude aberta, campo, rio, lago, flor e muito amor, no imenso que era esse mundo de Deus, adeus.
Te ouço e te vejo como sempre e , verbalmente como sempre tua música, teu som, tua poesia, teu amor, e de tudo isso me alimento e cresço e só hoje apareço.
De repente me lembro de São Paulo, programa do Agnaldo, bons tempos, e eu do teu lado, apaixonado pela tua cor canela, calado, "como cabe a um menino diante de um deus", a ti apresentado pela Célia. Depois veio o depois e Célia foi pro México com Decalafe e eu fiquei, caminhando sem lenço mas com documento porque tinha medo...
Depois, com a ditadura militar veio Londres, e toda a solidão de tua ausência...eu estava la mas não sabias, e eu sofria com o que inventaram, tanto amor do lado de cá...prece: te cuida meu filho-irmão pois te careço quero e preciso, e ai que quase morro e corro pra saber mentira a história do hospital (qualquer que seja a tua história ela sera sempre com H). Não havia tuberculose ou beirando a morte, estavas bem vivo e triste, tão triste como a educada Londres, cidade onde, olhando pro céu buscavas um disco voador. E nos te amando ainda que na distancia, meio bolero meio tango.
Depois veio o retornar, o renascer, o rescender, ou transcender em toda maravilha do retorno. Teatro Municipal, batom sabor morango manchando a boca, crescendo o grito, mistificando o mito, e só crescendo mais e mais. Eu sempre la, mesmo quando aqui em New York, me sento e te bebo em um copo do Canecão.
Leio onde falas de João Gilberto. João Gilberto esta para ti como tu estas para mim, como eu estou pra Cristina que esta para a Vera em uma torrente, cadeia infinita de admiração, carinho, respeito, amor.
Hoje eu sou o expatriado, longe, já há tanto tempo, mas não te perco e te sigo sempre ao lado.
Tua música me cobre e descobre em a mim a hora certa de te contar e desvendar meu mini mistério: Tua presença e' a prova concreta da existência plena de uma divindade.
"Qual e o teu nome?
Onde e que você mora?
Quando e que você me namora?"
Que perdure o poeta...
Escrito em New York, não datado mas "Baby, baby, há quanto tempo..."
Paulo Nunes
PARA VOCES QUE VICEM A CANTAR
"Encontros e Desencontros."
ou
"Nas Esquinas da Vida"
ou
"Talvez Um Dia, Talvez Você, Talvez Quem Sabe"
Pra Vocês que Vivem a Cantar.
Quantas coisas que eram pra acontececer não sucederam,
ficando no campo do por acontecer?
Foi isso por causa dos medrosos ou covardes
em aceitar o amor de peito aberto,
por puro medo da maioria que não entendiam
ou irão entender o amor um dia,
mesmo por que o amor não existe para se entender?
Sera que essas mesmas pessoas nem sequer notaram
que a vida é quase sempre feita de limites
de coincidências nos encontros do viver,
quando estamos sempre nos movendo
nesse universo imenso tambem a se mover?
Tantos anos depois, agora,
ainda não consigo compreender...
quem sabe mistérios morrerão mistérios
pois nem tudo creio que entenderemos
ou acontecem para se explicar
ou como o amor pra se entender.
Mas que cabeçudos somos nos os homens
que deixamos esses estranhos encontros
que se repetem e repetem e repetem e uma vez mais,
em horas, dias, minutos e mesmo em cidades diferentes
e nem nos perguntamos como é que isso pode ser?
Assim eles tambem aconteceram em minha vida,
e nunca parei pra me indagar porque,
e agora que já é tarde, já se foi a hora,
e esses estranhos encontros tambem se foram,
quem sabe porque estou realmente longe agora,
ou porque você se foi pra sempre,
eles pararam de acontecer.
Apenas uma pergunta em mim persiste..
Se eu notasse quão raro eram esses acontecimentos,
e que talvez uma mensagem traziam pra nos dois,
o que será que eu faria então, naquela hora
em que os estranhos encontros estavam a acontecer?
E seja o que eu fizesse ou a ti dissesse iria,
de algum modo te atingir, te tocar
e te limpar o cérebro e os olhos
ao ponto de te livrar do grande medo,
de deixar o que era para acontecer acontecer?
Creio que algumas perguntas morrerão perguntas,
pois nunca saberemos o que seria o que nunca foi...
Quem sabe o mais certo já que e tão tarde agora,
seria juntar todos esses momentos de outrora
que ficaram como que em partes ou pedaços
de nossa vida, sem um final ou com um a se saber,
em um vaso grande com um nome gravado:
Coisas Que Ficaram Por Acontecer
New York, 27, Janeiro, 2011
Paulo Nunes
ou
"Nas Esquinas da Vida"
ou
"Talvez Um Dia, Talvez Você, Talvez Quem Sabe"
Pra Vocês que Vivem a Cantar.
Quantas coisas que eram pra acontececer não sucederam,
ficando no campo do por acontecer?
Foi isso por causa dos medrosos ou covardes
em aceitar o amor de peito aberto,
por puro medo da maioria que não entendiam
ou irão entender o amor um dia,
mesmo por que o amor não existe para se entender?
Sera que essas mesmas pessoas nem sequer notaram
que a vida é quase sempre feita de limites
de coincidências nos encontros do viver,
quando estamos sempre nos movendo
nesse universo imenso tambem a se mover?
Tantos anos depois, agora,
ainda não consigo compreender...
quem sabe mistérios morrerão mistérios
pois nem tudo creio que entenderemos
ou acontecem para se explicar
ou como o amor pra se entender.
Mas que cabeçudos somos nos os homens
que deixamos esses estranhos encontros
que se repetem e repetem e repetem e uma vez mais,
em horas, dias, minutos e mesmo em cidades diferentes
e nem nos perguntamos como é que isso pode ser?
Assim eles tambem aconteceram em minha vida,
e nunca parei pra me indagar porque,
e agora que já é tarde, já se foi a hora,
e esses estranhos encontros tambem se foram,
quem sabe porque estou realmente longe agora,
ou porque você se foi pra sempre,
eles pararam de acontecer.
Apenas uma pergunta em mim persiste..
Se eu notasse quão raro eram esses acontecimentos,
e que talvez uma mensagem traziam pra nos dois,
o que será que eu faria então, naquela hora
em que os estranhos encontros estavam a acontecer?
E seja o que eu fizesse ou a ti dissesse iria,
de algum modo te atingir, te tocar
e te limpar o cérebro e os olhos
ao ponto de te livrar do grande medo,
de deixar o que era para acontecer acontecer?
Creio que algumas perguntas morrerão perguntas,
pois nunca saberemos o que seria o que nunca foi...
Quem sabe o mais certo já que e tão tarde agora,
seria juntar todos esses momentos de outrora
que ficaram como que em partes ou pedaços
de nossa vida, sem um final ou com um a se saber,
em um vaso grande com um nome gravado:
Coisas Que Ficaram Por Acontecer
New York, 27, Janeiro, 2011
Paulo Nunes
Saturday, March 5, 2011
MEU HEROI
Esse que deita nessa pequena cama,
E que de dor geme e triste definha,
E' o mesmo homem que a vida ama,
O mesmo Herói que hoje mal caminha.
Esse Guerreiro Bravo e Honesto
Que em batalhas nunca se entregou
E' a quem hoje homenagem presto,
E que, em silencio, tanta gente amou.
Hoje ele senta na cadeira e roda
A mesma estrada, velha conhecida,
Pensando o que será de sua vida.
Mas a resposta está em sua frente
E ele olha com amor, contente,
Pro rosto triste de sua mulher querida.
Ao meu pai, que escrevia e admirava sonetos.
New York 11/01
Paulo Nunes
E que de dor geme e triste definha,
E' o mesmo homem que a vida ama,
O mesmo Herói que hoje mal caminha.
Esse Guerreiro Bravo e Honesto
Que em batalhas nunca se entregou
E' a quem hoje homenagem presto,
E que, em silencio, tanta gente amou.
Hoje ele senta na cadeira e roda
A mesma estrada, velha conhecida,
Pensando o que será de sua vida.
Mas a resposta está em sua frente
E ele olha com amor, contente,
Pro rosto triste de sua mulher querida.
Ao meu pai, que escrevia e admirava sonetos.
New York 11/01
Paulo Nunes
MEU CANTO
Hoje eu canto pra você,
músicas antigas, de juventude,
de infância, de adolescência,
hoje eu canto pra você
mesmo sem voz eu canto.
Hoje, aqui nesse meu canto
eu canto, e canto, e canto
uma música de amor após a outra
que falam de amores idos,
dores, lágrimas, despedias,
falam tambem de paixão,
de tempo bom,
de encontros clandestinos.
de toques escondidos noite a dentro,
falam do por fora e do por dentro,
do cheiro de suor e sexo,
e de mais uma vez, um pouco mais,
ate o amanhecer.
Hoje, mesmo que você esteja longe,
ou nem se lembre mais,
ou ate não me ouça,
eu mesmo assim, ate o fim,
ainda canto antigos cantos,
pra você.
Paulo Nunes
N.Y. Qualquer dia, Qualquer ano.
músicas antigas, de juventude,
de infância, de adolescência,
hoje eu canto pra você
mesmo sem voz eu canto.
Hoje, aqui nesse meu canto
eu canto, e canto, e canto
uma música de amor após a outra
que falam de amores idos,
dores, lágrimas, despedias,
falam tambem de paixão,
de tempo bom,
de encontros clandestinos.
de toques escondidos noite a dentro,
falam do por fora e do por dentro,
do cheiro de suor e sexo,
e de mais uma vez, um pouco mais,
ate o amanhecer.
Hoje, mesmo que você esteja longe,
ou nem se lembre mais,
ou ate não me ouça,
eu mesmo assim, ate o fim,
ainda canto antigos cantos,
pra você.
Paulo Nunes
N.Y. Qualquer dia, Qualquer ano.
UM GATO
ele era um gato, um tigre, sei lá,
solto leopardo, ou pardo felino,
sempre a ronronar.
como os outros gatos, em mim se esfregava,
seu pelo macio, como que tentando
o meu corpo frio esquentar.
ele era um gato, mas bem diferente,
gostava de água, de chuva, de gente
e não do lugar.
um gato sabido, alegre, levado,
um gato maroto, um gato garoto,
um gato menino, e pra meu espanto,
um gato cigano, a me namorar.
ele era um gato,
malandro, vadio,
que a noite tardia, quase madrugada,
deixava o leito, aonde eu dormia
e ia pra rua, namorar a lua,
ou pra beira do rio, namorar os peixes,
ou pra beira da praia, namorar o mar.
de manhã, bem cedo, quando eu despertava,
e não o achava, em meu velho quarto,
não me preocupava,
sabia que ele, era um gato guardado,
por todos os deuses, um gato amado,
pelo deus dos rios, pelo deus dos muros,
dos terrenos baldios, dos velhos telhados,
das ruas desertas, das vielas escuras,
dos becos vazios, das casas tombadas,
pelo deus das águas, da guerra e do mar.
se o dia passava, e ele não voltava,
a noite eu sabia,
que o encontraria, em meu velho quarto,
em cima da cama, a me esperar.
um dia, porem,
meu gato cigano,
meu gato menino,
de mim foi-se embora, pra não mais voltar.
so sei que hoje longe, do gato perdido,
sou eu quem sussurro e ronrono gemidos,
nas noites escuras,
tremendo de frio, morrendo de medo,
a o procurar.
ele era um gato,
um tigre,
um menino...
sei la.
Paulo Nunes
New York, 25 de abril de 1983
solto leopardo, ou pardo felino,
sempre a ronronar.
como os outros gatos, em mim se esfregava,
seu pelo macio, como que tentando
o meu corpo frio esquentar.
ele era um gato, mas bem diferente,
gostava de água, de chuva, de gente
e não do lugar.
um gato sabido, alegre, levado,
um gato maroto, um gato garoto,
um gato menino, e pra meu espanto,
um gato cigano, a me namorar.
ele era um gato,
malandro, vadio,
que a noite tardia, quase madrugada,
deixava o leito, aonde eu dormia
e ia pra rua, namorar a lua,
ou pra beira do rio, namorar os peixes,
ou pra beira da praia, namorar o mar.
de manhã, bem cedo, quando eu despertava,
e não o achava, em meu velho quarto,
não me preocupava,
sabia que ele, era um gato guardado,
por todos os deuses, um gato amado,
pelo deus dos rios, pelo deus dos muros,
dos terrenos baldios, dos velhos telhados,
das ruas desertas, das vielas escuras,
dos becos vazios, das casas tombadas,
pelo deus das águas, da guerra e do mar.
se o dia passava, e ele não voltava,
a noite eu sabia,
que o encontraria, em meu velho quarto,
em cima da cama, a me esperar.
um dia, porem,
meu gato cigano,
meu gato menino,
de mim foi-se embora, pra não mais voltar.
so sei que hoje longe, do gato perdido,
sou eu quem sussurro e ronrono gemidos,
nas noites escuras,
tremendo de frio, morrendo de medo,
a o procurar.
ele era um gato,
um tigre,
um menino...
sei la.
Paulo Nunes
New York, 25 de abril de 1983
AVE DE FOGO
voa ave de fogo
e rasga o azul deste céu a entardecer,
voa ave real
e em graciosas piruetas, como em um balé,
escreve a palavra proibida,
liberta em toda essa amplidão os pecados do mundo.
vai,
segue teu vôo de paz e faz-me,
como em crianca,
sorrir minha ingenuidade.
traz de volta meu sentimento mais puro
perdido nas leis que os homens me ensinaram.
voa de ponta-cabeça desafiando a gravidade,
mostra-me que impossível é o que não queremos.
me faz sorrir com um suave vôo raso
e segue teu caminho, me deixando só,
mas tonto de prazer.
Paulo Nunes,
New York, 1983
e rasga o azul deste céu a entardecer,
voa ave real
e em graciosas piruetas, como em um balé,
escreve a palavra proibida,
liberta em toda essa amplidão os pecados do mundo.
vai,
segue teu vôo de paz e faz-me,
como em crianca,
sorrir minha ingenuidade.
traz de volta meu sentimento mais puro
perdido nas leis que os homens me ensinaram.
voa de ponta-cabeça desafiando a gravidade,
mostra-me que impossível é o que não queremos.
me faz sorrir com um suave vôo raso
e segue teu caminho, me deixando só,
mas tonto de prazer.
Paulo Nunes,
New York, 1983
CONTRADIÇÃO
Está tudo longe, não, está tudo perto.
Longe dos olhos perto do coração,
Está tudo errado, não, está tudo certo,
Como é que eu saio dessa confusão?
A vida é breve, não, a estrada é longa,
O rumo certo está na contramão,
O céu está escuro e continua aberto,
O que é que eu faço com meu coração?
Está tudo claro dentro do obscuro,
Em minha bússola não há direção,
Em meu passado busco meu futuro,
Em meu amante busco meu irmão.
Está tudo certo, está tudo perto,
Está tudo aberto, essa é a conclusão.
E se concluo que está tudo certo,
Como explico minha confusão?
Paulo Nunes
New York, 11/01
Longe dos olhos perto do coração,
Está tudo errado, não, está tudo certo,
Como é que eu saio dessa confusão?
A vida é breve, não, a estrada é longa,
O rumo certo está na contramão,
O céu está escuro e continua aberto,
O que é que eu faço com meu coração?
Está tudo claro dentro do obscuro,
Em minha bússola não há direção,
Em meu passado busco meu futuro,
Em meu amante busco meu irmão.
Está tudo certo, está tudo perto,
Está tudo aberto, essa é a conclusão.
E se concluo que está tudo certo,
Como explico minha confusão?
Paulo Nunes
New York, 11/01
Friday, March 4, 2011
PROFANO
Ele se deita ao meu lado e fala
e a dormir se mexe e suspira.
Da cama oposta ouço ranger de dentes,
na longa noite que se inicia.
e mansamente a noite vai passando,
a me mostrar que vem raiando o dia.
Cabelos de ouro vejo a rebrilhar no quarto,
na luz de vela ou já da madrugada,
a contornar cabeça bem talhada,
ligada a um corpo em que adivinho o tato,
ao qual profano so em pensamentos,
com o qual eu durmo e nunca acaricio,
alem de um afago do meu longe olhar.
E quando enfim vejo raiar o dia,
levanto-me e cuidadosamente sento-me na cama
e vendo essa crianca que em sonhos se agita,
me surpreendo cantando cantigas
que minha mãe cantava a me ninar.
Ele se acalma e volta ao sono lento,
enquanto eu abro e porta e saio pra rua,
em busca de outras mãos para me tocar.
Paulo Nunes
New York
3 de Agosto de 1982
e a dormir se mexe e suspira.
Da cama oposta ouço ranger de dentes,
na longa noite que se inicia.
e mansamente a noite vai passando,
a me mostrar que vem raiando o dia.
Cabelos de ouro vejo a rebrilhar no quarto,
na luz de vela ou já da madrugada,
a contornar cabeça bem talhada,
ligada a um corpo em que adivinho o tato,
ao qual profano so em pensamentos,
com o qual eu durmo e nunca acaricio,
alem de um afago do meu longe olhar.
E quando enfim vejo raiar o dia,
levanto-me e cuidadosamente sento-me na cama
e vendo essa crianca que em sonhos se agita,
me surpreendo cantando cantigas
que minha mãe cantava a me ninar.
Ele se acalma e volta ao sono lento,
enquanto eu abro e porta e saio pra rua,
em busca de outras mãos para me tocar.
Paulo Nunes
New York
3 de Agosto de 1982
DESEJOS
Não são tão macias as palavras quanto o toque
de tuas pernas sobre as minhas pernas,
em noites que me parecem eternas,
onde me levanto antes que me sufoque,
o desespero de saber de tudo
que me revela o teu gesto mudo,
mas que em medo me nego a falar.
Que não me desespere a palavra tanto quanto o ato,
sempre a nos unir neste silente quarto,
onde pouco de amor se fala ou se faz,
pois que o medo sempre nos rodeia,
sentando-se conosco a nossa ceia,
como a sombra de um animal feroz,
que se debate tanto quanto nos
e que na longa noite geme e solta ais,
dentro da jaula onde as barras o separam,
de sentimentos que tanto o abalam,
como os nossos que nos desesperam,
como daqueles que teimam e esperam,
pelos seus mortos que não voltam mais.
E assim seguimos pela longa noite,
nos enlaçando a nos debater,
nos debatendo a nos enlaçar,
e por maior que seja o castigo,
quero beber de tua fonte amigo,
cujo sabor jamais vou esquecer,
por mais que venha o tempo a passar,
como se passa essa noite eterna,
onde descansar sobre a minha perna,
a tua perna como a me ninar.
Paulo Nunes
New York 1980s
de tuas pernas sobre as minhas pernas,
em noites que me parecem eternas,
onde me levanto antes que me sufoque,
o desespero de saber de tudo
que me revela o teu gesto mudo,
mas que em medo me nego a falar.
Que não me desespere a palavra tanto quanto o ato,
sempre a nos unir neste silente quarto,
onde pouco de amor se fala ou se faz,
pois que o medo sempre nos rodeia,
sentando-se conosco a nossa ceia,
como a sombra de um animal feroz,
que se debate tanto quanto nos
e que na longa noite geme e solta ais,
dentro da jaula onde as barras o separam,
de sentimentos que tanto o abalam,
como os nossos que nos desesperam,
como daqueles que teimam e esperam,
pelos seus mortos que não voltam mais.
E assim seguimos pela longa noite,
nos enlaçando a nos debater,
nos debatendo a nos enlaçar,
e por maior que seja o castigo,
quero beber de tua fonte amigo,
cujo sabor jamais vou esquecer,
por mais que venha o tempo a passar,
como se passa essa noite eterna,
onde descansar sobre a minha perna,
a tua perna como a me ninar.
Paulo Nunes
New York 1980s
Thursday, March 3, 2011
CORES
vivo em uma profusão de cores,
sou rodeado pelos incessantes acontecimentos
que provoquei e nem vi,
sou a soma, o fato, o feto, o produto,
luto pelo que quero contra o que não quis.
sofro acordado, mas quando durmo,
sonho que sou feliz.
vivo em uma profusão de amores,
dou adeus a quem me cerca e ne acerco de quem não me quer,
sou o fruto da paixão de uma mulher
que diz que foi capaz de amar, sofrer e ser feliz.
nem sempre sou o que fui
e sei que não serei apenas o que sempre quis,
mudo com o mundo,
sou mutante, cigano, viajante,
sempre fui o amante pouco o amado,
vivo nos domínios do dominado
pela paixão que me cega e acaba,
sou o mal que se propaga no corpo ferido do guerreiro que,
perdendo a luta se perdeu.
sou árabe e judeu, sou pastor ateu,
sou o que se mortifica,
o que nem vai nem fica,
sou dele, sou meu, sou dela, sou teu.
vivo em uma profusão de dores,
ponho a roupa de arlequim,
capa de toureiro,
chapéu de palhaço e saio por ai...
vivo em uma profusão de cores.
Sem Data
Rio de Janeiro
Paulo Nunes
sou rodeado pelos incessantes acontecimentos
que provoquei e nem vi,
sou a soma, o fato, o feto, o produto,
luto pelo que quero contra o que não quis.
sofro acordado, mas quando durmo,
sonho que sou feliz.
vivo em uma profusão de amores,
dou adeus a quem me cerca e ne acerco de quem não me quer,
sou o fruto da paixão de uma mulher
que diz que foi capaz de amar, sofrer e ser feliz.
nem sempre sou o que fui
e sei que não serei apenas o que sempre quis,
mudo com o mundo,
sou mutante, cigano, viajante,
sempre fui o amante pouco o amado,
vivo nos domínios do dominado
pela paixão que me cega e acaba,
sou o mal que se propaga no corpo ferido do guerreiro que,
perdendo a luta se perdeu.
sou árabe e judeu, sou pastor ateu,
sou o que se mortifica,
o que nem vai nem fica,
sou dele, sou meu, sou dela, sou teu.
vivo em uma profusão de dores,
ponho a roupa de arlequim,
capa de toureiro,
chapéu de palhaço e saio por ai...
vivo em uma profusão de cores.
Sem Data
Rio de Janeiro
Paulo Nunes
ZANZIBAR
sempre a me perseguir o mistério dos encontros e desencontros. qual será o momento certo de se dobrar a esquina exata? o repentino esbarro, a entrada na mesma condução - mãos e olhos, olhos e mãos, palavras ditas sem som, o grandioso poder do tato e da visão. ah, as palavras podem mentir pois que, em tudo há o grande medo que nos cerca, mas nunca virá truncada essa energia, que sai de nos quase que independente de nosso corpo que a gera ou de nossa vontade.
- imagens -
mesas de velhos bares, velhos casarões, sacadas, janelas, amplas salas e imensos jardins cobertos por todos os mistérios que a noite oculta, o fascínio das estrelas e do mar. solto o meu sentir por esse todo espaço, envio a mensagem e capto a vibração - ah! quartos ocultos, misteriosos santuários e esse respeito a me impedir de pedir as chaves das portas que os trancam.
- o encontro, o chamado - noites tropicais, cheiro de mato pisado, terra molhada...
- fecundação -
ilha mágica em que te escondes, terras e mares sem fim, gosto de mel, cheiro de cravo e jasmim, toques de mãos, promessas de encontros futuros...
ah! que não termine agora mas que comece já, pois que nada sei de tempo.
Rio, Santa Teresa, 1970
Paulo Nunes
- imagens -
mesas de velhos bares, velhos casarões, sacadas, janelas, amplas salas e imensos jardins cobertos por todos os mistérios que a noite oculta, o fascínio das estrelas e do mar. solto o meu sentir por esse todo espaço, envio a mensagem e capto a vibração - ah! quartos ocultos, misteriosos santuários e esse respeito a me impedir de pedir as chaves das portas que os trancam.
- o encontro, o chamado - noites tropicais, cheiro de mato pisado, terra molhada...
- fecundação -
ilha mágica em que te escondes, terras e mares sem fim, gosto de mel, cheiro de cravo e jasmim, toques de mãos, promessas de encontros futuros...
ah! que não termine agora mas que comece já, pois que nada sei de tempo.
Rio, Santa Teresa, 1970
Paulo Nunes
DIFERENÇAS
Em calmo mar navegas
Em bravo mar me afogo
Segues tua estrada de luzes
Em labirintos me perco
És fruto de um amor
Sou fruto de despedidas
Teus lábios sorriem pra vida
Meus olhos choram pro nada
Te chama a aventura
Me sufoca a desventura
Segues norte, segues sul
Eu fico no meio parado
Teus olhos vivem o futuro
meus olhos sonham o passado
Teu corpo tem cheiro de sal
Meu corpo tem cheiro de sono
És pássaro alado
Eu sou cachorro sem dono
Possuis o brilho do ouro
E eu o opaco do couro
És cantiga de acalanto
Sou grito, sou choro, sou pranto
Teus gestos são pura alegria
Meus gritos são de agonia
Tu vives sempre de dia
Eu morro sempre de noite
A brisa te faz carícias
O vento me bate em açoites
Tu és a carta da sorte
Eu sou carta esquecida
A ti te aplaude a vida
A mim me aguarda a morte.
Paulo Nunes
New York 1982
Em bravo mar me afogo
Segues tua estrada de luzes
Em labirintos me perco
És fruto de um amor
Sou fruto de despedidas
Teus lábios sorriem pra vida
Meus olhos choram pro nada
Te chama a aventura
Me sufoca a desventura
Segues norte, segues sul
Eu fico no meio parado
Teus olhos vivem o futuro
meus olhos sonham o passado
Teu corpo tem cheiro de sal
Meu corpo tem cheiro de sono
És pássaro alado
Eu sou cachorro sem dono
Possuis o brilho do ouro
E eu o opaco do couro
És cantiga de acalanto
Sou grito, sou choro, sou pranto
Teus gestos são pura alegria
Meus gritos são de agonia
Tu vives sempre de dia
Eu morro sempre de noite
A brisa te faz carícias
O vento me bate em açoites
Tu és a carta da sorte
Eu sou carta esquecida
A ti te aplaude a vida
A mim me aguarda a morte.
Paulo Nunes
New York 1982
TURBILHÕES
O inferno dos sentimentos que me vêem a tona,
a sufocar-me as noites de um calmo verão,
e o mesmo inferno de quem se aniquila e morre
a dizer sempre sim, a nunca dizer não.
Minha alma caminha a perguntar-me quando
serei capaz de dar-me o direito
de declarar-me dono de meu próprio leito
e de beijar o corpo de quem estou amando.
Mas como os dias as noites vão passando
e em mim procuro a força do guerreiro
que um dia, como o dia derradeiro,
teve a coragem de sair pra luta,
sem se importar que nela fosse morto.
Mas hoje, vejo um sorriso torto
a enganar-me os próprios desejos
que se esvaem como se esvai o beijo
que tanto temo quanto tanto almejo.
Minha alma triste todo dia chora
a esperar que o sol abra as janelas
do quarto escuro onde durmo agora,
fabrica de sonhos, rio de seixos,
onde eu me banho e brinco de crianca,
com esse menino que hoje dorme e sonha,
sem saber-me ao lado, a velar-lhe o sono,
a cantar cantigas, morto de desejos,
a espera de que finalmente chegue a hora
de receber o já tão esperado beijo,
que o guiara de volta a noite eterna
onde mora a lua, habitam as estrelas,
onde tudo e calmo, quieto e infinito,
como um livro, música ou filme que se conhece
a se repetir nas telas da memória,
como no amor se repete a história,
onde nada e novo e tudo e sabido,
menos o sabor, que sempre se difere,
como se difere o sabor dos frutos
mesmo se oriundos da mesma colheita.
E então me deito nessa velha cama,
onde aguardo o sono, onde apago a chama
desse amor de outono que me martiriza
mas me ilumina, como a luz de um fósforo,
que o ilumina a o exterminar.
Paulo Nunes
New York 1980s
a sufocar-me as noites de um calmo verão,
e o mesmo inferno de quem se aniquila e morre
a dizer sempre sim, a nunca dizer não.
Minha alma caminha a perguntar-me quando
serei capaz de dar-me o direito
de declarar-me dono de meu próprio leito
e de beijar o corpo de quem estou amando.
Mas como os dias as noites vão passando
e em mim procuro a força do guerreiro
que um dia, como o dia derradeiro,
teve a coragem de sair pra luta,
sem se importar que nela fosse morto.
Mas hoje, vejo um sorriso torto
a enganar-me os próprios desejos
que se esvaem como se esvai o beijo
que tanto temo quanto tanto almejo.
Minha alma triste todo dia chora
a esperar que o sol abra as janelas
do quarto escuro onde durmo agora,
fabrica de sonhos, rio de seixos,
onde eu me banho e brinco de crianca,
com esse menino que hoje dorme e sonha,
sem saber-me ao lado, a velar-lhe o sono,
a cantar cantigas, morto de desejos,
a espera de que finalmente chegue a hora
de receber o já tão esperado beijo,
que o guiara de volta a noite eterna
onde mora a lua, habitam as estrelas,
onde tudo e calmo, quieto e infinito,
como um livro, música ou filme que se conhece
a se repetir nas telas da memória,
como no amor se repete a história,
onde nada e novo e tudo e sabido,
menos o sabor, que sempre se difere,
como se difere o sabor dos frutos
mesmo se oriundos da mesma colheita.
E então me deito nessa velha cama,
onde aguardo o sono, onde apago a chama
desse amor de outono que me martiriza
mas me ilumina, como a luz de um fósforo,
que o ilumina a o exterminar.
Paulo Nunes
New York 1980s
Wednesday, March 2, 2011
A TODOS OS AMORES DE MINHA VIDA
Me lembro bem de todos os amores da minha vida,
dos beijos e carinhos apaixonados, desejos desesperados
e da satisfação enfim
Sim me lembro deles todos de memória,
nem muitos foram mas nem tanto poucos ,
já que vivi mais do que esperava,
e quando jovem ainda muito mais que agora,
sempre morri de amor ou me apaixonei.
Me lembro sempre desses antigos amores,
uns que duraram anos, outros dias ou mesmo horas,
outros que quase foram mas desapareceram
mesmo que há poucos minutos antes de serem.
Os conheci em diversos lugares
por onde andei, vivi ou me perdi,
mas não esqueço deles nunca, nem hoje, ontem ou agora
porque quando se ama ou mesmo quase,
me diga como se pode esquecer?
Alguns se foram para outras terras, outras cidades,
outros ficaram ou se foram e não voltaram mais.
outros simplesmente me esqueceram e já nem se lembram
do que fizemos, com tanto gozo, paixão e ais.
E quando de meus amores hoje, tão tarde, me recordo,
claro que sinto ou ressinto velhos sentimentos
que há tanto tempo ou mesmo ontem eu revivi.
Mesmo que seja tudo na memória,
não quer dizer que eu não os senti.
Tem tanto tempo desde de meu primeiro amor
e esse dizem que não se esquece e eu me esqueci,
mas lembro bem do meu primeiro beijo,
que me espantou pois eu não esperava
sendo a melhor surpresa que eu vivi.
Éramos muito jovens, garotos ainda,
em sua bicicleta ele me levava,
e quando chegamos enfrente há minha casa
antes que eu descesse ele na boca me beijou.
Ele era lindo disso bem me lembro ainda,
mas faz parte dos que quase foram, já que ai parou,
nunca falamos do acontecido,
eu nunca falei, e ele se calou.
Houveram outros beijos em praias, matos e em rios
que nisso ficaram mas deles tão pouco me esqueci.
Foram parte de minha infância , minha adolescência
e de minha vida, pois como esquece-los?
São como belos sonhos que para sempre ficam
guardados na memória, ate a nossa morte,
pois foi tudo amor, carinho, e sorte,
como então ou porque esquecer?
Hoje quando já nada acontece ou passa,
essas lembranças como filmes me acalentam
e me aquecem em minhas noites solitárias ou frias
onde deitado em minha cama vazia, quase sonhando,
de tudo isso e de todos me recordo e choro
mas me vejo a sorrir, mesmo que chorando.
Paulo Nunes
New York, 27/4/2010
dos beijos e carinhos apaixonados, desejos desesperados
e da satisfação enfim
Sim me lembro deles todos de memória,
nem muitos foram mas nem tanto poucos ,
já que vivi mais do que esperava,
e quando jovem ainda muito mais que agora,
sempre morri de amor ou me apaixonei.
Me lembro sempre desses antigos amores,
uns que duraram anos, outros dias ou mesmo horas,
outros que quase foram mas desapareceram
mesmo que há poucos minutos antes de serem.
Os conheci em diversos lugares
por onde andei, vivi ou me perdi,
mas não esqueço deles nunca, nem hoje, ontem ou agora
porque quando se ama ou mesmo quase,
me diga como se pode esquecer?
Alguns se foram para outras terras, outras cidades,
outros ficaram ou se foram e não voltaram mais.
outros simplesmente me esqueceram e já nem se lembram
do que fizemos, com tanto gozo, paixão e ais.
E quando de meus amores hoje, tão tarde, me recordo,
claro que sinto ou ressinto velhos sentimentos
que há tanto tempo ou mesmo ontem eu revivi.
Mesmo que seja tudo na memória,
não quer dizer que eu não os senti.
Tem tanto tempo desde de meu primeiro amor
e esse dizem que não se esquece e eu me esqueci,
mas lembro bem do meu primeiro beijo,
que me espantou pois eu não esperava
sendo a melhor surpresa que eu vivi.
Éramos muito jovens, garotos ainda,
em sua bicicleta ele me levava,
e quando chegamos enfrente há minha casa
antes que eu descesse ele na boca me beijou.
Ele era lindo disso bem me lembro ainda,
mas faz parte dos que quase foram, já que ai parou,
nunca falamos do acontecido,
eu nunca falei, e ele se calou.
Houveram outros beijos em praias, matos e em rios
que nisso ficaram mas deles tão pouco me esqueci.
Foram parte de minha infância , minha adolescência
e de minha vida, pois como esquece-los?
São como belos sonhos que para sempre ficam
guardados na memória, ate a nossa morte,
pois foi tudo amor, carinho, e sorte,
como então ou porque esquecer?
Hoje quando já nada acontece ou passa,
essas lembranças como filmes me acalentam
e me aquecem em minhas noites solitárias ou frias
onde deitado em minha cama vazia, quase sonhando,
de tudo isso e de todos me recordo e choro
mas me vejo a sorrir, mesmo que chorando.
Paulo Nunes
New York, 27/4/2010
EU
Eu,
Que agora de tudo tenho medo,
E saudades das coisas que não aconteceram ou não fiz
E que em meus sonhos ou pesadelos
Meus vivos morrem, meus mortos me consolam
E ao despertar me sinto ainda mais sozinho
Agora sem os que se foram e os que ainda estão por ir ou ser.
Eu,
Que vivo só e que hoje me indago
Se foi escolha, doença, medo ou pavor.
E que agora pouco ou nada faço,
Por pura preguiça, desânimo ou desamor.
Eu,
Que tudo queria e hoje nada quero
Pois que tudo virou ou se tornou demais,
Esse demais que me amedronta e corta
A minha pele, carne e minha alma,
Como navalha fina de cortar papel,
Papel que uso pra escrever besteiras
Que viram monstros sem me deixar dormir
Meio acordado eu sonho com os que já se foram
Me consolando mortes que ainda estão por vir.
Eu, sem saber o que fazer agora,
Tão cedo ou tarde, quem sabe ou saberá?
Olho ao redor do quarto vazio, escuro e frio,
Já que chorar não sei ou esqueci,
Sento na cama e começo a rir.
Paulo Nunes
New York, Janeiro 2008
Que agora de tudo tenho medo,
E saudades das coisas que não aconteceram ou não fiz
E que em meus sonhos ou pesadelos
Meus vivos morrem, meus mortos me consolam
E ao despertar me sinto ainda mais sozinho
Agora sem os que se foram e os que ainda estão por ir ou ser.
Eu,
Que vivo só e que hoje me indago
Se foi escolha, doença, medo ou pavor.
E que agora pouco ou nada faço,
Por pura preguiça, desânimo ou desamor.
Eu,
Que tudo queria e hoje nada quero
Pois que tudo virou ou se tornou demais,
Esse demais que me amedronta e corta
A minha pele, carne e minha alma,
Como navalha fina de cortar papel,
Papel que uso pra escrever besteiras
Que viram monstros sem me deixar dormir
Meio acordado eu sonho com os que já se foram
Me consolando mortes que ainda estão por vir.
Eu, sem saber o que fazer agora,
Tão cedo ou tarde, quem sabe ou saberá?
Olho ao redor do quarto vazio, escuro e frio,
Já que chorar não sei ou esqueci,
Sento na cama e começo a rir.
Paulo Nunes
New York, Janeiro 2008
Thursday, February 17, 2011
VICIO
Dentro dessa garrafa existe um homem
de quem o nome ha muito tempo esqueci,
mas se olhares bem, eu sei que o veras
pois ele se conserva nu e belo como era
no dia em que nessa garrafa o escondi.
Sim, foi puro egoismo o que fiz, bem sei,
mas como poderia eu guarda-lo para sempre
se não nessa garrafa transparente,
a qual eu sempre sei onde o encontrar
pois na verdade a trago comigo
para onde eu estou, vou ou irei.
E se sinto dele a falta, tudo fica fácil,
eu pego a garrafa e a abraço,
e assim fazendo a ele também toco
e o tocando de seu próprio toque me recordo
ou relembro, ou revivo que sei eu,
alem do fato que nessa garrafa eu guardo o homem,
que um dia pensa que de mim partiu, ou que se foi,
sem sequer notar que o prendi comigo,
dentro de uma garrafa que ainda escondo,
mas que busco sempre que desejo
rever a quem um dia me deu o abrigo
de seu corpo quente, pele macia,
e em seu sexo me fez tudo esquecer.
O momento do gozo dura só segundos,
ainda bem pois que se mais durasse,
a mim e a todos iria matar ou enlouquecer.
Assim que se só, de novo eu me sinto ou me encontro,
em um banco perto do bar eu me sento, eu me escondo,
e abro a garrafa e o começo a beber.
Poema dedicado ao Nono.
N.Y., 17 de Fevereiro, 2011
Sunday, February 6, 2011
A PEDIDO
Como ele não podia escrever algo alegre ou pra cima ou contente como seu irmão/amigo lhe pedia,
ele fez o que Clarisse Lispector recomendou ou/e fazia ou assim lhe disse seu amigo.
Sentou-se em um antiga quebrada cadeira e ficou olhando pra parede...
nada mais.
Mas ele achou que mesmo isso ainda era deprimente e,
só pra melhorar e agradar seu amigo,
ele sorriu,
pra parede.
NYC, Paulo Nunes
Dedicado a Manuel
ele fez o que Clarisse Lispector recomendou ou/e fazia ou assim lhe disse seu amigo.
Sentou-se em um antiga quebrada cadeira e ficou olhando pra parede...
nada mais.
Mas ele achou que mesmo isso ainda era deprimente e,
só pra melhorar e agradar seu amigo,
ele sorriu,
pra parede.
NYC, Paulo Nunes
Dedicado a Manuel
ANTIGO
ou
Sem adeus ou despedida.
Minha vida, já tao tarde agora, eu sei,
e' repleta de adeuses que não dei
a pessoas que morreram ou que se foram,
que no fundo para mim e como morte,
eu também que sai ou fui embora..
mas que de ninguém ou nada nunca esqueci.
Era tudo diferente então, de agora,
mesmo reclamando hoje sei que era melhor,
mais difícil e complicado e com demora,
mas poucos eram os que eram confundidos,
meus amigos eram ou sabiam que eu era entendido.
Mas isso e' longe, isso e' antigo, isso e' o passado
que veio muito antes da palavra gay.
De um tempo onde havia bonde, carro de boi
Maria Fumaça e ate Lotação.
Isso foi bem antes de existir a intermete,
quando Virgínia Lane ainda era vedete
e as pessoas se comunicavam por carta
ou telefone, ou cara a cara e nada mais.
Eu sei que tudo era bem mais demorado,
mas eu não me importava nem um pouco,
me chamem de louco me chamem de antigo.
Ainda prefiro tomar café que tomar Nescafe,
e de sexo gosto dele em cores e ao vivo,
já que pra mim o toque e imprescindível,
não só o meu, mas de quem esta comigo.
E agora tanto tempo apos do antes e
de tudo que já era e hoje não e mais,
me recordo de todos e de períodos
que, como eu partiram e já não voltam mais.
Paulo Nunes
New York, 1/31/2010
Sem adeus ou despedida.
Minha vida, já tao tarde agora, eu sei,
e' repleta de adeuses que não dei
a pessoas que morreram ou que se foram,
que no fundo para mim e como morte,
eu também que sai ou fui embora..
mas que de ninguém ou nada nunca esqueci.
Era tudo diferente então, de agora,
mesmo reclamando hoje sei que era melhor,
mais difícil e complicado e com demora,
mas poucos eram os que eram confundidos,
meus amigos eram ou sabiam que eu era entendido.
Mas isso e' longe, isso e' antigo, isso e' o passado
que veio muito antes da palavra gay.
De um tempo onde havia bonde, carro de boi
Maria Fumaça e ate Lotação.
Isso foi bem antes de existir a intermete,
quando Virgínia Lane ainda era vedete
e as pessoas se comunicavam por carta
ou telefone, ou cara a cara e nada mais.
Eu sei que tudo era bem mais demorado,
mas eu não me importava nem um pouco,
me chamem de louco me chamem de antigo.
Ainda prefiro tomar café que tomar Nescafe,
e de sexo gosto dele em cores e ao vivo,
já que pra mim o toque e imprescindível,
não só o meu, mas de quem esta comigo.
E agora tanto tempo apos do antes e
de tudo que já era e hoje não e mais,
me recordo de todos e de períodos
que, como eu partiram e já não voltam mais.
Paulo Nunes
New York, 1/31/2010
VOLVER
Eu que sonho em viver em um sonho que vive em um sonho dentro de outro sonho, em um outro sonho, que e' parte de um sonho... e nele me perder pra não saber voltar jamais.
PAULO NUNES
NEW YORK 6/6/2010
PAULO NUNES
NEW YORK 6/6/2010
PERIFERIAS DE SAO PAULO
Ou
Pelas Periferias da Vida,
eu que ando pelas periferias,
nunca do lado, nunca no centro,
nunca por certo dentro,
ou cem porcento,
mas nas bordas de tudo,
feito rastro de perfume,
distante do cheiro real,
nem perto, nem longe,
apenas na periferia,
onde o olhar mente ou varia...
na periferia.
Paulo Nunes
N.Y.
P.S. dedicado ao Paulinho e ao Roberto
Pelas Periferias da Vida,
eu que ando pelas periferias,
nunca do lado, nunca no centro,
nunca por certo dentro,
ou cem porcento,
mas nas bordas de tudo,
feito rastro de perfume,
distante do cheiro real,
nem perto, nem longe,
apenas na periferia,
onde o olhar mente ou varia...
na periferia.
Paulo Nunes
N.Y.
P.S. dedicado ao Paulinho e ao Roberto
PARA SEMPRE
Eu pensei que fosse para sempre,
para sempre, para sempre,
Pensando que fosse para sempre,
Pra esse para sempre me entreguei.
Eu julguei que fosse hoje, agora
eu julguei, eu julguei
E pensando que essa fosse a hora
sem julgar eu me entreguei.
Eu pensei que eu pensava certo
eu pensei, eu pensei.
E pensando que certo pensava
me iludi, me enganei.
(ou, me fodi, me ferrei.Opção do leitor)
Paulo Nunes
New York 2009
para sempre, para sempre,
Pensando que fosse para sempre,
Pra esse para sempre me entreguei.
Eu julguei que fosse hoje, agora
eu julguei, eu julguei
E pensando que essa fosse a hora
sem julgar eu me entreguei.
Eu pensei que eu pensava certo
eu pensei, eu pensei.
E pensando que certo pensava
me iludi, me enganei.
(ou, me fodi, me ferrei.Opção do leitor)
Paulo Nunes
New York 2009
MEU CANTO
Hoje eu canto pra você,
musicas antigas, de juventude,
de infância,de adolescência,
hoje eu canto pra você
mesmo sem voz eu canto.
Hoje, aqui nesse meu canto
eu canto, e canto, e canto
uma musica de amor apos a outra
que falam de amores idos,
dores, lagrimas, despedias,
falam também de paixão,
de tempo bom,
de encontros clandestinos.
de toques escondidos noite a dentro,
falam do por fora e do por dentro
do cheiro de suor e sexo,
e de mais uma vez, um pouco mais,
ate o amanhecer.
Hoje, mesmo que você esteja longe,
ou nem se lembre mais,
ou ate não me ouça,
eu mesmo assim, ate o fim,
ainda canto antigos cantos,
pra você.
Paulo Nunes
N.Y. Qualquer dia, Qualquer ano.
musicas antigas, de juventude,
de infância,de adolescência,
hoje eu canto pra você
mesmo sem voz eu canto.
Hoje, aqui nesse meu canto
eu canto, e canto, e canto
uma musica de amor apos a outra
que falam de amores idos,
dores, lagrimas, despedias,
falam também de paixão,
de tempo bom,
de encontros clandestinos.
de toques escondidos noite a dentro,
falam do por fora e do por dentro
do cheiro de suor e sexo,
e de mais uma vez, um pouco mais,
ate o amanhecer.
Hoje, mesmo que você esteja longe,
ou nem se lembre mais,
ou ate não me ouça,
eu mesmo assim, ate o fim,
ainda canto antigos cantos,
pra você.
Paulo Nunes
N.Y. Qualquer dia, Qualquer ano.
FANTASMAS
São tantos os fantasmas que me rodeiam agora,
que a noite me acompanham e de dia não me deixam em paz.
Sempre contando contos de outrora,
os quais quero esquecer, não recordar.
Mas eles voam , e me perseguem sempre,
seja onde seja que eu vá ou me esconda,
la os encontro barulhentos a me esperar.
Algumas horas cantam, outras choram,
e passam todas as noites a lamentar,
tudo o que não e agora, ou o que nem foi e nunca sera.
Eles me lembram coisas que aconteceram há tanto tempo
que as vezes nem sei se são verdade mais,
mas pra me garantir me trazem provas com o vento
que suas imagens brancas fazem balançar.
Sim, as provas são nomes, datas, rostos e momentos,
que eles me mostram como em telas de cinemas,
algumas vezes em cores outras em branco e preto,
e a mim fazem rever todos os filmes,
pedaços de minha vida soltos, desligados,
pois deles passei anos tentando escapar.
Agora mesmo eles me atormentam,
e nunca e jamais me vão deixar em paz,
e já que são fantasmas come já disse,
não sei qual solução se e' que haverá,
pois sendo tão claros no escuro, e leves
e mesmo em pesados sonhos em que vago e fico,
noites após noites a me revirár.
E assim passam meus dias, minutos e horas,
e em todos os segundos eles vem e ficam,
e me atormentam mesmo se não me assustam,
pois o tormento dura muito mais que o assustar.
Se algum dia eles forem embora
nem mesmo sei como sera...
ou o que farei com o silencio que agora
eles preenchem com cantigas de mortos
ou gritos de vivos assustados,
por a eles haverem visto ou encontrado
em qualquer canto escuro, ou em um lugar
conhecido como assombrado,
onde eles vão sempre pra brincar.
E se na morte busco o socorro
do esquecimento dessa vida já vivida,
e a paz nela eu vá buscar,
estou seguro que la também os encontro,
fazendo os mesmos ruídos, os mesmos barulhos,
e relembrando-me de novo do que foi e do que nunca sera,
já que são fantasmas como tanto eu já disse,
onde mais vivem ou nascem se e que não são eternos,
pois se não na morte onde mais sera'?
Bem sei que nunca deles me livrarei,
por uma simples razão, tão clara agora.
Eles são MEUS fantasmas e mim me seguirão pra sempre,
seja pra onde for, seja pra onde eu vá.
Paulo Nunes
New York,
17/1/2011
que a noite me acompanham e de dia não me deixam em paz.
Sempre contando contos de outrora,
os quais quero esquecer, não recordar.
Mas eles voam , e me perseguem sempre,
seja onde seja que eu vá ou me esconda,
la os encontro barulhentos a me esperar.
Algumas horas cantam, outras choram,
e passam todas as noites a lamentar,
tudo o que não e agora, ou o que nem foi e nunca sera.
Eles me lembram coisas que aconteceram há tanto tempo
que as vezes nem sei se são verdade mais,
mas pra me garantir me trazem provas com o vento
que suas imagens brancas fazem balançar.
Sim, as provas são nomes, datas, rostos e momentos,
que eles me mostram como em telas de cinemas,
algumas vezes em cores outras em branco e preto,
e a mim fazem rever todos os filmes,
pedaços de minha vida soltos, desligados,
pois deles passei anos tentando escapar.
Agora mesmo eles me atormentam,
e nunca e jamais me vão deixar em paz,
e já que são fantasmas come já disse,
não sei qual solução se e' que haverá,
pois sendo tão claros no escuro, e leves
e mesmo em pesados sonhos em que vago e fico,
noites após noites a me revirár.
E assim passam meus dias, minutos e horas,
e em todos os segundos eles vem e ficam,
e me atormentam mesmo se não me assustam,
pois o tormento dura muito mais que o assustar.
Se algum dia eles forem embora
nem mesmo sei como sera...
ou o que farei com o silencio que agora
eles preenchem com cantigas de mortos
ou gritos de vivos assustados,
por a eles haverem visto ou encontrado
em qualquer canto escuro, ou em um lugar
conhecido como assombrado,
onde eles vão sempre pra brincar.
E se na morte busco o socorro
do esquecimento dessa vida já vivida,
e a paz nela eu vá buscar,
estou seguro que la também os encontro,
fazendo os mesmos ruídos, os mesmos barulhos,
e relembrando-me de novo do que foi e do que nunca sera,
já que são fantasmas como tanto eu já disse,
onde mais vivem ou nascem se e que não são eternos,
pois se não na morte onde mais sera'?
Bem sei que nunca deles me livrarei,
por uma simples razão, tão clara agora.
Eles são MEUS fantasmas e mim me seguirão pra sempre,
seja pra onde for, seja pra onde eu vá.
Paulo Nunes
New York,
17/1/2011
ESTUDO 2 ( ES TUDO)
Novo Amor
Quero um (novo) amor de qualquer jeito
Que seja errado, certo, torto ou direito,
Quero esse (novo) amor de qualquer jeito.
Quero esse (novo) amor de qualquer modo,
Cru, cu'zido, quente, frio ou mesmo morno,
Com passagem de ida, sem retorno
Quero um (novo) amor de qualquer modo.
Busco um (novo) amor feito do nada,
Copas, Ouro, Paus ou mesmo Espada,
Figura forte de Rei ou de Rainha,
E se doer que a dor seja só minha,
Meu coração cortado por essa Espada,
Quero esse (novo) amor feito do nada.
Quero um (novo) amor e tem que ser agora,
Pois pouco tempo tenho, eu sei da hora,
Vai por favor busque, senhor, senhora,
Que essa pressa de amar me apavora.
O tempo passa, o tempo corre,
O tempo nunca para……
Olho pro céu e vejo que chegou a hora.
Cuspo no chão e só, eu vou me embora!
New York 17 de Fevereiro, Madrugada.
Quero um (novo) amor de qualquer jeito
Que seja errado, certo, torto ou direito,
Quero esse (novo) amor de qualquer jeito.
Quero esse (novo) amor de qualquer modo,
Cru, cu'zido, quente, frio ou mesmo morno,
Com passagem de ida, sem retorno
Quero um (novo) amor de qualquer modo.
Busco um (novo) amor feito do nada,
Copas, Ouro, Paus ou mesmo Espada,
Figura forte de Rei ou de Rainha,
E se doer que a dor seja só minha,
Meu coração cortado por essa Espada,
Quero esse (novo) amor feito do nada.
Quero um (novo) amor e tem que ser agora,
Pois pouco tempo tenho, eu sei da hora,
Vai por favor busque, senhor, senhora,
Que essa pressa de amar me apavora.
O tempo passa, o tempo corre,
O tempo nunca para……
Olho pro céu e vejo que chegou a hora.
Cuspo no chão e só, eu vou me embora!
New York 17 de Fevereiro, Madrugada.
ESTUDO (ES TUDO)
Grande Amor
Quero um (grande) amor de qualquer jeito,
Que machuque e me fira no lado direito
E me cure e me sare no esquerdo.
Quero um (grande) amor de qualquer jeito.
Quero um (grande) amor que me apareça
Na fria noite ou madrugada e que esqueça
Que e' outono agora, quase inverno,
E que seja como um sol e que aqueça,
O corpo que finjo jovem mas que e' velho.
Quero um (grande) amor mesmo mentindo,
Que me engane que me ama e me iludindo,
Que me beije e que me jure amor eterno,
Ja que o eterno e' o pouco que me resta.
Quero um (grande) amor, que seja agora,
Que me adoce o amargo que devora
E que seca e que enruga a minha pele,
Que embrulha o presente, um velho corpo,
Que de tanto amor me torne louco,
E me unte de mel por toda parte,
E que veja no espelho da loucura,
Esse fogo ou brasa que ainda arde,
De paixão ou tesão pois nunca e' tarde
Pra se achar grande gozo na tortura.
New York, 17 de Fevereiro de 2008
3 da matina
Quero um (grande) amor de qualquer jeito,
Que machuque e me fira no lado direito
E me cure e me sare no esquerdo.
Quero um (grande) amor de qualquer jeito.
Quero um (grande) amor que me apareça
Na fria noite ou madrugada e que esqueça
Que e' outono agora, quase inverno,
E que seja como um sol e que aqueça,
O corpo que finjo jovem mas que e' velho.
Quero um (grande) amor mesmo mentindo,
Que me engane que me ama e me iludindo,
Que me beije e que me jure amor eterno,
Ja que o eterno e' o pouco que me resta.
Quero um (grande) amor, que seja agora,
Que me adoce o amargo que devora
E que seca e que enruga a minha pele,
Que embrulha o presente, um velho corpo,
Que de tanto amor me torne louco,
E me unte de mel por toda parte,
E que veja no espelho da loucura,
Esse fogo ou brasa que ainda arde,
De paixão ou tesão pois nunca e' tarde
Pra se achar grande gozo na tortura.
New York, 17 de Fevereiro de 2008
3 da matina
CADA DIA
Cada dia que passa eu sinto menos,
cada dia que passa eu sinto mais,
cada dia eu sinto muito mais.
Demais ou de menos,
qual sera a diferença do de menos
pro demais?
Eu prefiro o de menos ou o demais?
Pra mim tanto faz.
Cada dia que passa eu sinto muito,
muito mais...
mas quem sabe já falei demais.
N.Y. 2008
cada dia que passa eu sinto mais,
cada dia eu sinto muito mais.
Demais ou de menos,
qual sera a diferença do de menos
pro demais?
Eu prefiro o de menos ou o demais?
Pra mim tanto faz.
Cada dia que passa eu sinto muito,
muito mais...
mas quem sabe já falei demais.
N.Y. 2008
BRINDES
Brindo, Brindo Brindo...
pelo o silencio da morte,
pelo o barulho do viver,
por você escolher ele,
por você não me escolher,
pela a dor que sinto agora,
pelo o não ha nada o que fazer,
por toda a distancia de hoje,
por estar perto de você,
por quem pensa que tudo sabe,
por quem tudo vai saber,
pela certeza da morte,
pela incerteza do viver,
por todos que já se foram,
pelos que ficaram sem querer,
por quem se foi derrepente,
por quem ficou sem você,
por uma vida de esperas,
por um nada acontecer,
pelos amantes de outrora,
pelo o hoje sem os ter,
por o que eu disse agora,
pelo o que ficou por dizer,
pelo seu aniversario
por meu sempre esquecer,
por um passado brilhante,
por um hoje por viver,
por tudo o que me lembro,
pelo o que nem vou saber,
pelo o que trago comigo,
pelo o que deixei em você,
pelos os sorrisos da vida,
pelo o amargor do viver,
por tudo que e certo ou errado,
por eu não julgar você,
por tudo que um dia me deram
pelo o que guardei pra esquecer,
pela a alegria da vitoria,
pelo o alivio do perder,
por quem já não me ama agora,
por eu nem saber porque,
pela a ultima palavra,
por você não me dizer,
pelo o que sonhei essa noite,
por acordar sem saber,
pelo o barulho da morte,
pelo o silencio do viver.
Brindo, Brindo, Brindo,
por você me lendo agora,
por quem nunca me vai ler.
NYC 11/25/2010
Paulo Nunes
pelo o silencio da morte,
pelo o barulho do viver,
por você escolher ele,
por você não me escolher,
pela a dor que sinto agora,
pelo o não ha nada o que fazer,
por toda a distancia de hoje,
por estar perto de você,
por quem pensa que tudo sabe,
por quem tudo vai saber,
pela certeza da morte,
pela incerteza do viver,
por todos que já se foram,
pelos que ficaram sem querer,
por quem se foi derrepente,
por quem ficou sem você,
por uma vida de esperas,
por um nada acontecer,
pelos amantes de outrora,
pelo o hoje sem os ter,
por o que eu disse agora,
pelo o que ficou por dizer,
pelo seu aniversario
por meu sempre esquecer,
por um passado brilhante,
por um hoje por viver,
por tudo o que me lembro,
pelo o que nem vou saber,
pelo o que trago comigo,
pelo o que deixei em você,
pelos os sorrisos da vida,
pelo o amargor do viver,
por tudo que e certo ou errado,
por eu não julgar você,
por tudo que um dia me deram
pelo o que guardei pra esquecer,
pela a alegria da vitoria,
pelo o alivio do perder,
por quem já não me ama agora,
por eu nem saber porque,
pela a ultima palavra,
por você não me dizer,
pelo o que sonhei essa noite,
por acordar sem saber,
pelo o barulho da morte,
pelo o silencio do viver.
Brindo, Brindo, Brindo,
por você me lendo agora,
por quem nunca me vai ler.
NYC 11/25/2010
Paulo Nunes
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