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Wednesday, March 2, 2011

EU

Eu,
Que agora de tudo tenho medo,
E saudades das coisas que não aconteceram ou não fiz
E que em meus sonhos ou pesadelos
Meus vivos morrem, meus mortos me consolam
E ao despertar me sinto ainda mais sozinho
Agora sem os que se foram e os que ainda estão por ir ou ser.

Eu,
Que vivo só e que hoje me indago
Se foi escolha, doença, medo ou pavor.
E que agora pouco ou nada faço,
Por pura preguiça, desânimo ou desamor.

Eu,
Que tudo queria e hoje nada quero
Pois que tudo virou ou se tornou demais,
Esse demais que me amedronta e corta
A minha pele, carne e minha alma,
Como navalha fina de cortar papel,
Papel que uso pra escrever besteiras
Que viram monstros sem me deixar dormir
Meio acordado eu sonho com os que já se foram
Me consolando mortes que ainda estão por vir.

Eu, sem saber o que fazer agora,
Tão cedo ou tarde, quem sabe ou saberá?
Olho ao redor do quarto vazio, escuro e frio,
Já que chorar não sei ou esqueci,
Sento na cama e começo a rir.

Paulo Nunes
New York, Janeiro 2008

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