voa ave de fogo
e rasga o azul deste céu a entardecer,
voa ave real
e em graciosas piruetas, como em um balé,
escreve a palavra proibida,
liberta em toda essa amplidão os pecados do mundo.
vai,
segue teu vôo de paz e faz-me,
como em crianca,
sorrir minha ingenuidade.
traz de volta meu sentimento mais puro
perdido nas leis que os homens me ensinaram.
voa de ponta-cabeça desafiando a gravidade,
mostra-me que impossível é o que não queremos.
me faz sorrir com um suave vôo raso
e segue teu caminho, me deixando só,
mas tonto de prazer.
Paulo Nunes,
New York, 1983
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