sempre a me perseguir o mistério dos encontros e desencontros. qual será o momento certo de se dobrar a esquina exata? o repentino esbarro, a entrada na mesma condução - mãos e olhos, olhos e mãos, palavras ditas sem som, o grandioso poder do tato e da visão. ah, as palavras podem mentir pois que, em tudo há o grande medo que nos cerca, mas nunca virá truncada essa energia, que sai de nos quase que independente de nosso corpo que a gera ou de nossa vontade.
- imagens -
mesas de velhos bares, velhos casarões, sacadas, janelas, amplas salas e imensos jardins cobertos por todos os mistérios que a noite oculta, o fascínio das estrelas e do mar. solto o meu sentir por esse todo espaço, envio a mensagem e capto a vibração - ah! quartos ocultos, misteriosos santuários e esse respeito a me impedir de pedir as chaves das portas que os trancam.
- o encontro, o chamado - noites tropicais, cheiro de mato pisado, terra molhada...
- fecundação -
ilha mágica em que te escondes, terras e mares sem fim, gosto de mel, cheiro de cravo e jasmim, toques de mãos, promessas de encontros futuros...
ah! que não termine agora mas que comece já, pois que nada sei de tempo.
Rio, Santa Teresa, 1970
Paulo Nunes
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