Entre o antes e o depois
tem o momento já, o agora,
segundos vividos entre duas possibilidades,
a do que foi e a do que sera.
Imutável fica o que ficou,
inseguro fica o que vira
e o momento que passa e' tão rápido e frágil,
que muitas vezes não da nem pra se notar.
O que marca o tempo não e' a hora,
o que marca o tempo e' a dor
ou a felicidade, tristeza ou alegria,
coisas que estão quase sempre de alguma forma,
conectadas ao sentimento do amor.
Já que tudo pode ser forte e frágil ao mesmo tempo,
contradições ou não que nos perseguem a vida,
e o momento ainda nem sentido,
ou marcado melhor dizendo,
e' o que e', e ao mesmo tempo já foi sendo,
e o que agora e' nunca se pode mudar.
Minha esperança mora no passado agora,
mesmo sabendo que não há como voltar,
mas mesmo que dor ou tormento foi o que foi sentido,
e' o único que eu sei que foi vivido
e que nem a morte pode ou ira modificar.
Assim não quero o amanhã nem o agora,
quero o que e' e foi real e sempre sera,
sim quero os ontems e os antes do meu outrora,
e os troco por tudo que e' ou que vira.
New York, 20 de Janeiro 2011
Paulo Nunes
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