Quarta Feira
Corpos nus ou quase
que em suor e luz brilham
e em varias cores e formas brincam,
dançam, cantam e se embriagam,
como anjos perdidos em desejos,
que como anjos haviam esquecido
mas, como homens voltaram a os reviver.
Quando a luz nas purpurinas bate,
como que estrelas que se vê de perto,
elas quase me cegam e me entontecem.
Mais do que as drogas ou bebidas,
os corpos desses anjos nus me tocam,
e em mim esbarram a me enlouquecer.
Em um piscar de olhos eles desaparecem,
e só nesse salão escuro e quieto eu me vejo,
escutando os homens que trabalham no andar abaixo,
em uma fabrica de caixões que ai existe.
E retorna a vida nessa quarta-feira
onde dos anjos o que ficou foi cinza
em uma cruz, na testa e nada mais.
Paulo Nunes
NY Sem Data
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